HISTÓRIAS SOBRE RODAS
Ele trocou o jaleco pela estrada. Aos 79 anos, dirige uma Ram Rebel 4×4 a diesel, apelidada de “Fera”, e coleciona quilômetros de histórias com poeira, vinho e liberdade no porta-malas

Na costa de Ushuaia, Dr. Molina e sua Ram Rebel encontram o Desdêmona, navio que repousa ali desde 1985
Se você cruzar alguma trilha remota da América do Sul e vir uma Ram Rebel cinza enfrentando lama, areia ou os ventos patagônicos, há grandes chances de ser o Dr. Francisco Molina ao volante. Médico anestesista de profissão — hoje aposentado, mas aventureiro de alma —, ele soma décadas de experiência nos centros cirúrgicos e milhares de quilômetros rodados pelas estradas selvagens ao lado da esposa e companheira de expedições.
Aos 79 anos, Dr. Molina não pensa em reduzir a marcha. “Não dá pra parar. A gente tem que aproveitar o tempo, se mexer, sair da rotina”, resume ele, com o brilho no olhar de quem acaba de voltar de Ushuaia — após 26 dias e 15 mil km cruzando as paisagens mais desafiadoras do sul do continente.
“Eu e minha esposa saímos de Uruguaiana rumo a Ushuaia. Passamos o Réveillon em Bariloche, visitamos Puerto Varas, acampamos em frente às Torres del Paine, tomamos vinho olhando as montanhas e atravessamos a Patagônia argentina e chilena. Foi incrível. Um sonho! Éramos os mais velhos do grupo, mas também os mais preparados”, brincou.
Parceira no volante e na vida

Kelce Molina, a companheira da vida e das trilhas
O nome dela é Kelce Molina, 76 anos, empresária, ela é copilota nas trilhas e na vida. Dr. Molina garante que nada disso seria possível sem ela: “Dirige muito bem. Enfrenta barro, areia, o que vier. A gente se reveza na direção, o que torna tudo mais leve. Não dirigimos à noite, sempre paramos cedo e levamos lanche, Red Bull… Pra gente, não existe viagem longa”.
A “Fera” — como ele apelidou carinhosamente a Ram Rebel 4×4 a diesel — é parte essencial dessa engrenagem. “É nosso carro do dia a dia, mas também nosso lar nas expedições. Já dormimos dentro dela, cozinhamos ali… ela aguenta tudo e ainda é confortável”, contou.
A paixão pelas trilhas veio com o tempo — e com o diesel
A vida off-road de Dr. Molina começou com um Jeep Compass Longitude a diesel. Mas a vontade de explorar exigia algo mais robusto. Em 2024, ele realizou o sonho de adquirir sua Ram Rebel, por meio da Concessionária T-Line, em São José dos Campos (SP), onde vive.

O Compass Longitude a diesel marcou o início da vida off-road do Dr. Molina
A relação com a equipe da Concessionária é próxima. “A Raquel é uma querida. O Cláudio, gerente, virou amigo. Ele também faz trilhas. Falo com ele antes de cada viagem, reviso tudo. Atendimento nota 10”, elogiou.
Com upgrades como pneus 265, espaçadores, rádio base e um para-choque com guincho a caminho, Molina prepara a “Fera” para qualquer situação.
Desafios, descobertas e boas histórias

O trio de aventuras: Dr. Molina, Kelce e a “Fera” na Praia do Cassino, em Chuí (RS)
Entre as aventuras mais marcantes, ele cita a travessia da Praia do Cassino (RS) — a mais extensa do mundo, com mais de 250 km e acrescentou: “Foram quatro dias de expedição na areia, sempre atentos à maré, ao vento, à temperatura. Foi desafiador, mas espetacular”.
No Atacama, a 4.500 metros de altitude, enfrentou perda de potência no motor. “O turbo não aguentou a pressão do ar rarefeito. É normal acontecer, mas fora isso, ela nunca me deixou na mão”.
Dr. Molina também curte viagens intimistas e relatou: “Já fizemos o Jalapão só eu e minha esposa. Alugamos um guia local e seguimos o roteiro por conta própria. O mais gostoso é planejar tudo: montar o trajeto, preparar o carro, ajustar os equipamentos”.
O casal já participou de mais de 20 expedições, explorando destinos como Cananéia, Ilha Grande, Ilha Comprida, Serras Gaúchas, Paranapiacaba, Serra da Bocaina e Capão Bonito. “Uma viagem muito especial para nós foi para a Serra da Canastra. Além das paisagens e dos animais, aprendemos muito sobre a gastronomia local e provamos queijos incríveis”, relembrou.

Entre águas cristalinas e formações naturais, o casal Molina explora uma das grutas encantadas do Jalapão (TO)
Outro ponto que ele valoriza nas expedições é a coletividade: “Todo mundo está ali com o mesmo objetivo. Existe parceria, companheirismo… sempre tem uma cerveja gelada, vinho compartilhado, churrasco na beira da estrada e, acima de tudo, amizades verdadeiras”.
Uma vida em movimento — dentro e fora das pistas
Dr. Molina também se mantém ativo fora da estrada. Ele participa da confecção de moda praia e esportiva da esposa e da filha, a nadadora olímpica Fabíola Molina. “Ela cuida do marketing e do relacionamento. Patrocinamos atletas e eventos. Nossa outra filha, Lissandra Molina Machado, é médica e tem quatro filhos. Uma família grande, unida e cheia de energia”, comemorou.
Apaixonado por esportes aquáticos, já fez travessias a nado, teve barco a vela e agora se prepara para um curso de kitesurf e enfatizou: “Além da viagem de carro, tem um detalhe que faz toda a diferença: o preparo físico. Em Ushuaia, por exemplo, você caminha muitos quilômetros a pé entre os pontos. Estar bem condicionado muda tudo”.
Casado há 52 anos com Kelce, Dr. Molina coleciona não só trilhas, mas momentos únicos, eternizados em fotos tiradas com o celular — sempre por ele mesmo, com o olhar de quem enxerga beleza até nos detalhes esquecidos da estrada.
E quando perguntado sobre o que o move, ele responde sem hesitar: “É o encantamento. O prazer da descoberta, o contato com a natureza, a liberdade. A Ram faz parte disso — me leva, me traz, aguenta qualquer tranco. E não existe distância quando a vontade é grande”.
Na contramão da pressa, com alma de estrada
Para Dr. Molina, viajar não é sobre chegar — é sobre sentir o caminho. Enfrentar o barro, acampar sob as estrelas, cozinhar ao ar livre e acordar com o cheiro de café no mato. É viver o que muitos evitam: a contramão da pressa e do conforto. “Não tenho medo de sujar o carro. Ele foi feito pra isso. Se atolar, a gente desatola. O importante é sair de casa, se mexer, viver com propósito”, afirmou.
Quase aos 80 anos, ele já traça os próximos rumos para o final do ano. Talvez volte ao Atacama, a convite do amigo Cláudio, da T-Line. Ou realize o sonho da esposa: ver a aurora boreal. O destino ainda não está certo. Mas o essencial, ele garante, é continuar em movimento.
E o segredo?
“Eu sempre digo: não deixa o velho entrar em você. Quando a gente se acomoda, envelhece por dentro. A vida é feita de movimento e curiosidade. Não precisa começar com uma travessia de mil quilômetros. Vai aos poucos. Sai da zona de conforto. Experimenta”, finalizou.
E assim seguem Dr. Molina, sua esposa Kelce e a “Fera” — com a alma leve, o motor ligado e a estrada sempre à frente.
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