ESPECIAL
Carlos Brasil, Diretor Comercial da Jeep Grupo Globo, relembra os anos em que viveu de perto a transformação da marca nos Estados Unidos e reflete sobre o legado da Chrysler, Jeep e Dodge no Brasil
A Chrysler chega ao seu centenário celebrando uma trajetória marcada por inovações técnicas, coragem para romper padrões e veículos que se tornaram verdadeiros ícones culturais. Mas mais do que tecnologia e design, são as pessoas que mantêm viva a essência da marca — entre elas, está Carlos Brasil, hoje Diretor Comercial da Concessionária Jeep do Grupo Globo, em Curitiba (PR) e entusiasta da Mopar, Jeep, Dodge e Ram.
A era de ouro da inovação
Entre 1995 e 2000, Carlos Brasil viveu a experiência única de trabalhar em Los Angeles (EUA) dentro da própria Chrysler, em um dos períodos mais vibrantes da marca. O que viu, viveu e aprendeu naquele tempo segue moldando sua visão sobre o setor automotivo até hoje.
“Foi uma época de ouro para a Chrysler. A marca vivia um grande sucesso comercial, com inovações que influenciaram toda a indústria”, contou.
Na memória de Diretor Comercial, os anos 1990 foram um divisor de águas. O Cab Forward Design, adotado nas plataformas da Chrysler (com exceção da Jeep), foi uma das maiores inovações da década. Com linhas avançadas e foco no espaço interno, os carros ganhavam conforto sem perder esportividade.
O período também foi marcado por três lançamentos que redefiniram seus segmentos: o Jeep Grand Cherokee (1992), a Dodge Ram (1994) e a segunda geração das minivans (1995). A união entre praticidade, performance e ousadia estética foi a assinatura daquele momento. “Esses projetos foram plantados ainda sob a liderança de Lee Iacocca, que deixou um legado forte ao sair em 1992. O sucesso nos anos seguintes foi fruto dessa visão estratégica”, reiterou.
Jeep, Dodge e Mopar: uma trindade apaixonante

Jeep Cherokee Limited com motor V8 5.9, lançado em 1998
A convivência com as equipes da Mopar, Jeep e Dodge aprofundou a conexão emocional de Brasil com as marcas. Ele descreveu a Mopar como um ecossistema movido a performance e paixão — tanto nas pistas quanto fora delas e acrescentou: “A Jeep sempre teve esse DNA off-road, enquanto Dodge e Mopar traziam a emoção do asfalto. E tudo isso com um preço acessível. Era performance com propósito”.
O Jeep Cherokee Limited com motor V8 5.9, lançado em 1998, é citado como exemplo dessa ousadia: um SUV esportivo apresentado antes mesmo de o segmento existir formalmente.
A ascensão da Jeep no Brasil
Hoje, como Executivo no Brasil, ele acompanha de perto a consolidação da Jeep como uma das marcas mais respeitadas do mercado nacional. Desde o lançamento do Renegade em 2015, a Jeep se destacou por unir apelo aspiracional com produtos acessíveis. “A Jeep fez um planejamento estratégico muito bem executado. Trouxe o valor de marca que o brasileiro já admirava no Grand Cherokee e no Wrangler para carros pensados para o nosso mercado”, pontuou.
O sucesso se consolidou com o Compass, e hoje a marca lidera com folga o segmento de SUVs médios no Brasil.
Manter o legado vivo é essencial

Geração Dodge da minivan 1995
O centenário da Chrysler, para Carlos Brasil, é mais do que uma comemoração: é um momento de reflexão sobre a importância da história. Ele relembrou momentos difíceis da companhia — como o fim dos anos 1970, quando a empresa esteve à beira da falência — e como a coragem e a inovação a fizeram renascer. “A Chrysler caiu duas vezes, e voltou mais forte nas duas. É um exemplo de resiliência. Manter viva essa memória é essencial para planejar o futuro com responsabilidade”.
A recente saída de executivos emblemáticos da Stellantis, por discordâncias estratégicas, também reforça, segundo ele, a importância de respeitar a identidade construída ao longo do tempo e mencionou: “Focar apenas na eletrificação e cancelar produtos icônicos foi um erro. Mas vejo com otimismo os novos rumos que estão sendo retomados agora”.
O valor que resiste ao tempo
Mesmo com a Dodge e a Chrysler tendo hoje presença mais discreta no Brasil, o Executivo vê o legado dessas marcas como cada vez mais valorizado — tanto pelo mercado quanto por colecionadores. “É só ver os preços: Dodge Dart e Charger dos anos 70 já são vendidos por mais de 500 mil reais. As Grand Cherokee antigas também estão valorizando. Isso é mercado reconhecendo o legado”.
Ele também relembrou que a Jeep ajudou a desbravar o interior do Brasil nos anos 60 e 70, com modelos como o Willys CJ5 e a Rural Willys e exaltou: “A Grand Cherokee pode ser vista como descendente direta dessa história”.

Carlos Brasil, o amigo Fernando Henrique e o Jeep durante viagem ao Morro da Palha, em Campo Magro (PR)
Orgulho de fazer parte
A paixão de Carlos Brasil começou cedo, ainda na adolescência, quando seu pai comprou um Dart 75 vermelho. Mas foi na convivência com a Mopar em Los Angeles (EUA), nos anos 90, que essa ligação virou compromisso profissional e pessoal. Hoje, ele mantém em sua garagem modelos antigos da Grand Cherokee e da Chrysler Town & Country, e se prepara para celebrar os 100 anos da Chrysler no maior estilo: no 23º Encontro Mopar Nationals, em Águas de Lindóia (SP), entre 29 e 31 de agosto. “Tenho muito orgulho de fazer parte dessa história há 30 anos. E acredito que todos nós que representamos essas marcas temos a responsabilidade de manter esse legado vivo”, comemorou.
Estudar o passado é projetar o futuro
Para os jovens apaixonados por carros que sonham em trabalhar com marcas como Jeep e Chrysler, o conselho do entusiasta é claro: “Não é só querer um emprego. É estudar, entender, se apaixonar por esse legado. É isso que faz a diferença”.
E o que ele deseja para o futuro?
“Que as novas gerações saibam valorizar a história e entender o impacto que Jeep, Dodge e Chrysler tiveram no mundo. Principalmente a Jeep, que foi fundamental na Segunda Guerra Mundial e continua sendo sinônimo de autenticidade”, finalizou.


