HISTÓRIA SOBRE RODAS
A jornada da família Tsung atravessa continentes, setores e gerações até se consolidar como referência no varejo automotivo
Algumas trajetórias não começam onde imaginamos. Antes de motores, concessionárias e marcas globais, a história da família Tsung nasceu entre fios de algodão, máquinas de tear e uma visão empresarial que atravessaria continentes.

Richard Tsung, Presidente do Conselho T-Line Group – Fotos: Acervo T-Line Group
Hoje, à frente de uma operação que reúne marcas como Toyota, Jeep, Ram, Kia e BYD, Richard Tsung representa a continuidade de um legado construído ao longo de décadas — e moldado por decisões estratégicas, mudanças geográficas e, sobretudo, relações que marcaram a história da indústria.
A origem: quando tudo ainda era tecido
A história começa na China, ainda na década de 1930, c
om a fundação de uma tecelagem de algodão em Qingdao. À frente do negócio estava Tsung Ren Ching, avô de Richard, um empresário com forte visão comercial e industrial.
Foi nesse contexto que surgiu uma conexão decisiva: a aproximação com Kiichiro Toyoda, fundador da Toyota Motor Corporation e Presidente de 1941 a 1950. Antes de se tornar uma gigante automotiva, a empresa japonesa atuava justamente na fabricação de teares — e a família Tsung chegou a se tornar um de seus maiores clientes.
Mais do que uma relação comercial, ali nascia uma parceria baseada em confiança, inovação e crescimento conjunto.

O Tear Automático Toyoda Modelo G, de 1924, criação de Sakichi Toyoda
Taiwan: expansão, indústria e o primeiro contato com o automóvel
Com as transforma
ções geopolíticas do pós-guerra, a família se transferiu para Taiwan no fim da década de 1940, levando consigo maquinário, conhecimento e equipe. Foi ali que o negócio têxtil ganhou escala, com o desenvolvimento de tecidos inovadores que conquistaram mercado internacional.
Mas o destino começava a apontar para outro caminho.
Com a evolução da Toyota para o setor automotivo, surgiu o convite para que a família participasse de uma operação industrial no novo segmento. A experiência incluiu atividades ligadas à manufatura e à assistência técnica, marcando o primeiro passo da família Tsung no universo sobre rodas.
Esse movimento, no entanto, seria interrompido por mudanças políticas na região, que levaram à reestruturação das operações industriais e à saída das empresas japonesas de Taiwan.
Da indústria à distribuição: nasce o DNA de concessionária
Foi a partir desse momento que a família Tsung tomou uma decisão que definiria seu futuro: fazer algo além da manufatura, expandir para o varejo automotivo.
A entrada no segmento de concessionárias aconteceu ainda em Taiwan, com forte atuação na distribuição de veículos e peças. Em pouco tempo, a operação alcançou posição de destaque no mercado local, consolidando um modelo de negócio baseado em relacionamento, eficiência e conhecimento profundo da cadeia automotiva.
“Você não pode depender só do carro zero. Tem que trabalhar toda a cadeia de valor”, resumiu Richard.
Esse princípio — que envolve Pós-Vendas, acessórios e serviços — permanece como um dos pilares da operação até hoje.
Brasil: recomeço, adaptação e novas oportunidades
Paralelamente à atuação na Ásia, a família iniciou um movimento estratégico rumo ao Brasil. Na década de 1960, adquiriu uma tecelagem em Anápolis (GO), marcando o início de sua presença no país.
A chegada não foi simples. Jovens e em um ambiente completamente novo, os integrantes da família precisaram se reinventar. Houve experiências industriais, como a atuação na Zona Franca de Manaus, até que uma nova oportunidade surgiria no início dos anos 1990.
Com a abertura econômica brasileira, a Toyota retomava sua expansão no país — e a relação construída décadas antes voltava a fazer sentido.
T-Line: o nascimento de um novo capítulo

Vista da Concessionária T-Line, em São José dos Campos (SP)
Em 1993, nascia a T-Line, concessionária Toyota que marcaria o início da operação da família Tsung no varejo automotivo brasileiro.
Richard Tsung acompanhou esse momento desde o início. Após período de formação no exterior, assumiu papel ativo na estruturação da operação, participando da implantação, desenvolvimento e consolidação do negócio.
Poucos anos depois, em 1997, a concessionária recebeu a visita do empresário japonês Shoichiro Toyoda, que liderou a Toyota por quatro décadas e fez da montadora líder global. Na ocasião, a T-Line foi reconhecida por ele como padrão global da marca, consolidando sua excelência operacional.
Expansão e diversificação: novas marcas, mesma essência
Ao longo dos anos, o grupo ampliou sua atuação, incorporando novas marcas e acompanhando a evolução do setor automotivo.
A entrada da Jeep e da Ram em 2015, por meio da parceria com a Stellantis, representou um novo ciclo de crescimento. Mais recentemente, em 2024, foi a vez da BYD integrar o portfólio, refletindo o olhar atento da família às transformações da mobilidade.
Mesmo com a expansão, a essência permanece.
“A gente leva o negócio a sério. Não é uma extensão da família — é uma empresa”, afirmou Richard.
Valores que atravessam gerações
Se há algo que conecta todas as fases dessa trajetória, é a consistência dos valores.
Disciplina, formação sólida, comprometimento e visão de longo prazo são princípios inegociáveis dentro da operação. A profissionalização da gestão caminha lado a lado com o respeito ao legado construído pelas gerações anteriores.
“Manter o legado da família é o que mais nos orgulha”, resumiu.
Olhar para frente sem perder a origem
A história da família Tsung é, acima de tudo, uma história de adaptação. Da tecelagem à concessionária, da China ao Brasil, da manufatura ao varejo — cada transição foi guiada por leitura de cenário e capacidade de reinvenção.
Hoje, diante de um setor em transformação, com novas tecnologias, marcas emergentes e mudanças no comportamento do consumidor, a lógica permanece a mesma: evoluir continuamente.

Vista interna da concessionária T-Line, em São José dos Campos (SP)
Mais do que uma trajetória, um legado em movimento
A jornada da família Tsung mostra que o setor automotivo é feito de muito mais do que produtos. Ele é construído por histórias, relações e decisões que atravessam o tempo.
Dos teares ao asfalto, o que se vê é a consolidação de um legado que soube preservar sua essência enquanto acompanhava as mudanças do mundo.
E que segue, agora, acelerando rumo ao futuro — sem esquecer de onde veio.
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