CARROS E ECONOMIA
Entre eleições, economia e eletrificação, o mercado automotivo entra em 2026 atento ao ritmo da música e à disputa por espaço
Possivelmente todos já vimos, ou mesmo participamos, da brincadeira da dança das cadeiras, onde sempre há mais participantes do que cadeiras e cada vez que para a música, alguém fica sem assento e sai da brincadeira.
Em 2026 teremos diferentes danças das cadeiras, a principal delas a da cadeira da Presidência da República. Em uma eleição na qual não somente será definido o mandatário do mais alto posto da república, mas também o modelo que dará as diretrizes para economia nacional.
No caminho, volatilidade cambial, juros elevados e restrição de crédito levam para desaceleração econômica, enquanto menor tributação sobre renda libera recursos para a chamada classe média brasileira e programas de transferência para as camadas mais pobres, levam para maior consumo.
A distribuição de automóveis e comerciais leves é diretamente afetada pelos mesmos fatores e as expectativas para 2026 devem ser cautelosas e foi esta a característica das projeções tanto de ANFAVEA, quanto FENABRAVE, com números entre 2,7 e 3% de crescimento sobre 2025 nos veículos leves.

Ainda temos que considerar a migração de consumo para produtos eletrificados, que promoveu outra dança das cadeiras em 2025 e deve continuar neste ano.
Quando se observa quem ganhou e quem perdeu participação de mercado em 2025, fica evidente que marcas concentradas em veículos híbridos e elétricos tiveram melhor resultado.
Caso excepcional é Toyota, afetada pela ocorrência na unidade fabril, perdeu participação mesmo bem-posicionada nos eletrificados.
Para os concessionários, dobra a necessidade de atenção sobre estoques, tanto novos, quanto usados, uma vez que a proliferação de ofertas de descontos nos novos pode depreciar o valor dos usados rapidamente.
Atrair o consumidor deve ser o foco das marcas em 2026, com acirramento da competição produto a produto. Vale lembrar que, em média, cada ponto percentual de participação vale de 3,5 a 4 bilhões de reais por ano.
Atenção ao ritmo da música, quando ela parar, pegue logo sua cadeira.
Francisco Mendes, economista, pós-graduado em Finanças e Controladoria (FAAP, FEA/USP), atua no setor de distribuição automotiva desde 1987, sendo que desde 1991 é consultor especializado na área. Como palestrante, participou em diferentes edições do Congresso Fenabrave e em eventos internacionais nos Estados Unidos, China, Coreia, Itália e Argentina.
Este material divulgado pela ABRAJEEP Press busca proporcionar diferentes perspectivas e informações relevantes aos executivos da Rede. As opiniões expressas são de exclusiva responsabilidade do autor convidado e não refletem, necessariamente, a posição oficial da Associação.


