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No Outubro Rosa, a ABRAJEEP Press conta a história emocionante de uma mulher que venceu a doença, desafiou diagnósticos e hoje inspira milhares de mulheres a realizarem seus sonhos
Uma vida virada do avesso

Na vida sobre rodas, Tricianni Caldas fez da Ram sua parceira de estrada, símbolo de potência e liberdade
Em 2004, a vida de Tricianni Caldas, nascida em Uberlândia (MG), estava apenas começando. Recém-formada em Direito, recém-casada com Mardem, o companheiro de juventude, ela tinha 24 anos e planos de lecionar na faculdade. Foi nesse mesmo ano, porém, que um diagnóstico inesperado mudou tudo: câncer de mama.
“Eu tinha acabado de casar, de me formar, e recebi a notícia. Foi como se o mundo tivesse desabado. Eu só pedi a Deus: segura na minha mão, porque a única coisa que eu quero é viver”, lembrou.
O tratamento foi intenso: mastectomia radical, esvaziamento da axila, nove sessões de quimioterapia, perda de cabelo, ganho de peso e o isolamento necessário para suportar cada ciclo. “A gente pensa na feminilidade que vai embora. Mas eu segui em frente, sem me revoltar, com fé e força. Eu queria apenas continuar vivendo”.
O milagre da maternidade
Após vencer o tratamento, veio um novo golpe: a notícia de que não poderia ser mãe. “O médico disse que eu não ovulava mais, que não teria filhos e nem poderia tentar inseminação. Foi muito difícil aceitar”.
O casal chegou a iniciar o processo de adoção, mas, oito anos após o diagnóstico, a surpresa aconteceu. Tricianni descobriu que estava grávida. “Eu não acreditava. Achei que fosse impossível. Mas era real: Maria Júlia estava a caminho, um verdadeiro milagre de Deus de acordo com o médico”.
A gestação foi tranquila e, quando a filha nasceu saudável, Tricianni sentiu que havia recebido não apenas uma bênção, mas também um novo propósito. “Ela é o gás da minha vida. Sempre digo para a Maju: só de você ter vindo, já é uma vencedora”.
Uma mulher e sua caminhonete
A história de superação ganhou um novo capítulo no volante. Em 2007, quando moravam no Mato Grosso, o marido comprou uma Ram 2500. A princípio, Tricianni resistiu: “Coré, apelido carinhoso que chamo o meu marido e que significa coração, eu não quero andar nessa caminhonete gigante. Compra um Fusca!”. Mas a vida na estrada a levou para trás do volante, e logo a Ram virou símbolo de força e liberdade.

Tricciani posa ao lado da filha Maju — a quem chama de ‘gás da vida’ — e de Mardem, seu parceiro inseparável em tantos momentos – Acervo Pessoal
Na época, quase não se via mulheres dirigindo uma caminhonete desse porte. A presença de Tricianni chamava atenção — e despertava curiosidade. Anos depois, em 2023, nasceu o projeto Mulheres de Ram, um perfil no Instagram que hoje soma cerca de 150 mil seguidores e um grupo no WhatsApp com quase 100 proprietárias de caminhonetes.
“O que mais me surpreendeu foi descobrir que existem muitas mulheres como eu, apaixonadas pela Ram. Nós trocamos histórias, experiências, sonhos. Criamos uma comunidade que se apoia e inspira”, contou.
Uma mensagem no Outubro Rosa
Hoje, com duas Ram 3500 na garagem — uma Longhorn, que ela chama de sua, e uma Laramie do marido — e a vida dividida entre a pecuária e as estradas de Goiás, Mato Grosso e Minas, Tricianni olha para trás com orgulho. “Eu tenho muito orgulho da minha história. Passei por dores e desafios, mas descobri dentro de mim uma força que eu não sabia que existia”.
Para ela, o Outubro Rosa é mais do que um movimento de conscientização: é também um convite à esperança. “Eu não fiz reconstrução da mama, nunca tive vergonha de usar biquíni, nem mesmo quando estava careca. Porque aprendi que a beleza de uma mulher está na forma como ela se enxerga, e não em padrões ou estereótipos”.
E deixa um recado para todas as mulheres que enfrentam batalhas ou sonham em realizar algo grande: “Sonhos se realizam. Mas a gente precisa correr atrás deles. Se você tem um sonho — seja vencer o câncer, ser mãe ou dirigir uma Ram —, acredite, lute e faça sua parte. A vida não espera. A gente precisa viver hoje”.
Uma história de cicatrizes que viraram símbolos, de fé que virou combustível e de sonhos que se tornaram realidade. No Outubro Rosa, Tricianni Caldas mostra que viver é, acima de tudo, acreditar.


