AUTOCURIOSO
Sim, elas já foram uma dupla inseparável — mas o “divórcio” aconteceu oficialmente em 2010. E por mais que pareça recente, muita gente ainda se confunde quando vê uma Ram na rua e solta: “Olha lá a Dodge Ram!”
A separação integrou uma ampla estratégia de reestruturação da Chrysler Group LLC (posteriormente Fiat Chrysler Automobiles – FCA), motivada principalmente pela crise financeira de 2008. O objetivo era especializar as marcase torná-las mais eficientes diante dos novos desafios econômicos e das mudanças no mercado automotivo.

Dodge Challenger R/T 1970
Foi nesse contexto que a italiana Fiat entrou em cena, assumiu o controle e, com o comando do empresário ítalo-canadense Sergio Marchionne, iniciou uma reestruturação pesada.
Mas por que separar o que parecia dar tão certo?
Durante décadas, a Dodge era uma marca “pau para toda obra”: vendia muscle cars (como o Charger e o Challenger), minivans e até caminhonetes — sim, a famosa Dodge Ram. O problema? A identidade estava cada vez mais difusa. Ao tentar ser tudo ao mesmo tempo, a marca começou a perder foco enquanto seus concorrentes (como Ford e Chevy) investiam pesado em especialização.

Dodge Charger R/T 1970
A solução foi ousada: dividir para conquistar. A Ram virou marca própria, com foco 100% em caminhonetes e veículos comerciais. Já a Dodge se reinventou como especialista em alto desempenho, apostando em carros potentes, nervosos e com muito apelo emocional.
Um pouco de história: como a Ram virou lenda

Dodge Ram 250 Convencional é uma picape da primeira geração da linha Ram lançada em outubro de 1980 como modelo de 1981
O nome “Ram” já circulava desde 1981, mas era apenas uma versão das picapes Dodge Série D. A virada de chave aconteceu em 1994, com o lançamento de uma picape robusta, com visual de caminhão grande (a icônica grade “big rig”). Em 2021, o Ram TRX (um caminhão com motor Hellcat de 702 cv) redefiniu o off-road de alto desempenho.
Quando a separação foi oficializada em 2010, a Ram ganhou logotipo próprio (a cabeça de carneiro) e uma missão clara: ser a referência em picapes nos EUA e no mundo.
Campanhas como “Guts. Glory. Ram.” ajudaram a construir essa nova identidade — voltada para quem vive, trabalha e se desafia na estrada ou no campo.

Ram 1500 TRX 6.2L Supercharged V8 – Final Edition 2024, encerra história do predador do mundo das picapes
Dodge foi atrás da adrenalina
Enquanto isso, a Dodge decidiu apostar no que fazia o coração dos fãs acelerar: músculo e barulho.
A linha de minivans ficou para trás, e vieram os monstros:
- Challenger Hellcat, com seus 707 cv,
- Charger SRT, com visual agressivo e alma de pista,
- e agora o Daytona SRT, um muscle car 100% elétrico — mas que imita o ronco de um V8 com um “exaust fake” chamado Fratzonic Chambered Exhaust (sério, é esse o nome).
Separadas, porém, mais fortes
Desde a separação:
- A Ram cresceu de 244 mil unidades vendidas em 2009 para mais de 580 mil em 2022. No Brasil, nos cinco primeiros meses de 2025, a Ram acumulou participação de 68% nos segmentos de picapes grandes com os modelos importados Nova 1500, 2500 e 3500. A Rampage, primeira picape Ram desenvolvida e concebida no Brasil, impulsionou o crescimento da marca no segmento de picapes compactas e médias. Hoje, ela é Top 5 entre a categoria e já superou a marca de 40 mil unidades emplacadas desde o seu lançamento, em junho de 2023.
- A Dodge se consolidou como a última grande defensora dos muscle cars americanos, enquanto muitos rivais partiram para os elétricos sem olhar para trás, a marca teve um aumento de 40% nas vendas entre 2010 e 2020 entre os modelos, como o Challenger.
E sabe o que é mais curioso? Essa separação que parecia estranha no começo acabou salvando as duas marcas. Com foco claro e públicos bem definidos, Ram e Dodge encontraram seu lugar no mundo — e brilharam.
E agora?
Ambas seguem firmes dentro do grupo Stellantis (resultado da fusão entre Fiat Chrysler e PSA), ao lado de marcas como Jeep, Peugeot, Citroën e até Maserati.
A Ram já está de olho no futuro com a 1500 REV elétrica e a Ram 1500 Ramcharger 2025. A Dodge prepara sua revolução eMuscle, mas sem perder o ronco — mesmo que simulado.

Dodge Charger Daytona SRT Concept
Moral da história:
Às vezes, seguir caminhos diferentes é a melhor forma de crescer. A Dodge e a Ram provaram que há vida (e sucesso) depois da separação.
SIM, EXISTE UM LOGOTIPO OFICIAL DA DODGE!
Logotipo principal atual (desde 2010)

Esse é o logotipo que aparece nos carros de passeio da Dodge — após a separação da Ram como marca distinta. Ele traz o nome DODGE em letras maiúsculas prateadas (tons metálicos, do claro ao cinza escuro) imediatamente seguido por duas faixas diagonais vermelhas inclinadas, simbolizando paixão e emoção
“Fratzog” – uma releitura histórica (2021 em diante)

Para seus veículos elétricos “eMuscle”, a Dodge reativou o logotipo histórico chamado Fratzog — um símbolo triangular formado por três formas de flecha, originalmente usado entre 1962 e 1976. Essa versão aparece em releitura moderna, tridimensional e iluminada (normalmente em LED), conferindo um ar futurista e enérgico.
O carneiro (Ram Head)
Até 2010, a Dodge usava a icônica “Ram Head” nas picapes. Em 2009-10, a Ram foi desmembrada e virou marca independente, mantendo o emblema como símbolo oficial. Hoje, a cabeça de carneiro é exclusiva da Ram Trucks, sinônimo de força, tradição e desempenho.
✅ RESUMO RÁPIDO
| LOGOTIPO | USO ATUAL | SIGNIFICADO |
| DODGE + duas faixas | Modelos de passeio atuais | Visual moderno e esportivo |
| Fratzog | Veículos elétricos | Retorno à herança dos anos 60 |
| Ram Head | Historicamente até 2010 – hoje é símbolo da marca Ram, não Dodge |
Associado às picapes, herdado pela Ram Trucks |




